Dia do Senhor 23

Leitura: Lucas 18:9-14, Romanos 3:9-31
Texto: Dia do Senhor 23

Irmãos e irmãs em nosso Senhor Jesus Cristo,

Nos últimos meses, temos estudado o Credo Apostólico, como o resumo mais básico da fé cristã, confessado pela igreja cristã por muitos séculos. A razão de estarmos fazendo isso nos leva de volta ao Dia do Senhor 7, que focou no tópico da fé: o que é “fé” e em que ela acredita? E em resposta a essa segunda pergunta – em que é que a fé acredita? – passamos cerca de seis meses no Credo Apostólico. É nisso que a fé acredita.

Agora, o catecismo nos confronta com uma questão muito importante: por que precisamos saber de tudo isso? Por que é importante que conheçamos toda essa doutrina? Que benefício é gastar uns seis meses estudando o Credo Apostólico e aprendendo toda essa doutrina Cristã?

A resposta que o catecismo dá é bastante simples: “em Cristo, sou justo diante de Deus e herdeiro da vida eterna”. Em outras palavras, Que benefício é gastar esse tempo todinho estudando o Credo Apostólico? Porque por meio dessas doutrinas, ensinadas na Palavra de Deus, conhecemos o que significa ser salvo em Cristo; chegamos a conhecer o próprio Cristo. E por conhecê-Lo e crer Nele, somos tomados por justos diante de Deus e ele nos recebe como herdeiros da vida eterna.

Agora, isso precisa ser descompactado. E é disso que se trata o Dia do Senhor. Como é que  somos feitos justos diante de Deus? É aqui que toda esta doutrina se reúne em um único resumo do Evangelho.

A mensagem do Evangelho é maravilhosa e muito simples. É o seguinte: nós somos salvos por nada além graça de Deus em Cristo. Somos salvos (salvos de quê? Salvos da ira de Deus, do inferno, do julgamento que nossos pecados merecem, da morte eterna) por nada (nada!) A não ser a graça de Deus em Cristo.

Esta é a mensagem mais básica, central e essencial das Escrituras. Não é um livro sobre como nós somos tão impressionantes. Não é um livro sobre como nós podemos deixar Deus feliz conosco por meio de nosso bom comportamento. Não é um livro sobre regras. Mais do que qualquer outra coisa, é um livro sobre a graça de Deus em Jesus Cristo para pecadores indignos.

Essa é a mensagem, e esta tarde queremos pensar sobre três elementos importantes dessa mensagem:

  1. A confissão que precede a graça.
  2. O sangue que comprou a graça.
  3. A fé que recebe a graça.

Então somos salvos por nada além da graça de Deus em Cristo.

A primeira coisa que devemos entender se quisermos entender esta mensagem do Evangelho é a confissão que deve preceder a graça. Não podemos começar a entender a graça de Deus até que entendamos nossa indignidade dessa graça.

Essa é a confissão com a qual precisamos começar.

O Senhor Jesus nos deu um exemplo disso na parábola do fariseu e do publicano. Nessa parábola, encontramos duas atitudes muito diferentes.

Agora, observem bem, irmãos, que tanto o fariseu quanto o publicano nessa história reconhecem a graça de Deus. Ambos reconhecem que tem graça envolvida de alguma forma em sua salvação. Para o fariseu, é a graça de Deus que o torna uma pessoa melhor e mais digna do que o publicano. É claro que ele vê nisso a graça de Deus porque ele agradece a Deus por isso. Ele não está simplesmente se congratulando. Ele está dizendo obrigado, Deus, que eu não sou como aquele publicano lá. Para ele, é isso que é a graça. “Graça” é Deus protegendo-nos do pecado, tornando-nos boas pessoas que são dignas do Reino.

O publicano tem uma visão radicalmente diferente da graça. Para ele, “graça” não é Deus nos tornando dignos, mesmo que isso seria graça – se formos dignos de alguma coisa boa, certamente seria pela graça de Deus; mas para esse publicano, essa discussão não tá nem na mesa, porque ele já sabe que não é digno. Então ele não está procurando ser merecedor; ele está procurando misericórdia. Para o publicano, a graça é Deus poupando as almas de pecadores indignos, resgatando-nos da condenação que é a única coisa da qual somos verdadeiramente dignos.

Então Jesus colocou esses dois indivíduos diferentes lado a lado, e essas duas visões diferentes da graça de Deus: e Ele perguntou aos seus discípulos: “Qual destes você acha que voltou para casa justificado?” Aquele que (pela graça de Deus) era digno (em sua própria mente), ou aquele que viu e confessou sua própria indignidade?

Se formos honestos, existe uma parte de nossos corações que quer dizer, “o primeiro”. Mesmo que, sim, admitamos que é tudo pela graça de Deus, mas não é verdade que temos que ser dignos da aceitação de Deus?

Mas a parábola que Jesus contou expôs o erro dessa forma de pensar: o fato é que cada um de nós, como o publicano, está muito longe de ser digno de qualquer coisa, exceto da ira de Deus. A diferença não era, de fato, que o fariseu fosse digno e o publicano indigno. A diferença é que o publicano viu que ele não era digno, e o fariseu não. E o fato de que ele encobriu isso com um verniz religioso, dizendo “sim, bem, é tudo pela graça de Deus” não o ajudou nem um pouco. Apenas um deles foi para casa justificado, e não era o fariseu.

Então, se quisermos entender a graça de Deus, precisamos começar com a confissão que precede a graça. E como é essa confissão? É o seguinte: “Deus, tenha misericórdia de mim, um pecador indigno.” “Deus, eu não mereço tua graça.” “Deus, eu não mereço tua misericórdia.” “Deus, eu sou um miserável e sei disso muito bem.”

Lemos anteriormente em Romanos 3. Nesse capítulo, Paulo descreve a condição da humanidade. E a mensagem deste capítulo não é, “existem algumas pessoas muito ruins por aí. Graças a Deus não somos como eles.” É antes: “Ninguém é justo, não, nenhum. Ninguém entende; ninguém busca a Deus. Todos se desviaram [dos caminhos de Deus]; juntos eles se tornaram inúteis. NINGUÉM faz bem, nem mesmo um.”

Um verdadeiro entendimento da graça de Deus começa com uma confissão honesta de nossa indignidade: eu não trago nada para a mesa, exceto a culpa da qual preciso ser salvo. Minha suposta retidão, na qual muitas vezes confiei, é como trapos de imundícia, sem valor diante de Deus. Não chega perto da justiça que Deus espera de mim, muito menos compensa o mal que eu tenho feito. Não tem nada em mim que me torne digno. Deus, tenha misericórdia de mim, um pecador.

Além disso, essa confissão se curva diante da perfeita justiça de Deus e reconhece: Tú, Deus, és santo. Tú, Deus és justo. E se Tu, Deus, me condenasse, até mesmo ao inferno eterno – Deus, Tu não farias nada de errado. É isso que eu mereço. Não tem um único mandamento que eu tenho guardado – não pela medida justa de Deus. Eu pequei gravemente contra cada um deles. As coisas que Deus detesta, que Ele abomina, que fazem Sua raiva incendiar – eu as fiz. Muitas, muitas, muitas vezes. As coisas que Deus me criou para fazer e me mandou para fazer – eu não as fiz. Eu desperdicei o investimento de Deus em me criar. Desperdicei o fôlego que Deus me deu para dizer e fazer coisas inúteis. E eu sei que os desejos que ainda vivem em mim – o poço sem fundo da ganância; a luxúria egoísta, insensata e degradante que é capaz e disposto a  destruir meu próximo sem piedade, e que cospe na face de Deus repetidas vezes, e que degrada Sua imagem em mim e nos outros; o impulso de assassinato e ódio e inveja que se expressa de mil maneiras; Eu conheço essas coisas que vivem dentro de mim, que vêm do meu próprio coração; e Deus me conhece muito melhor ainda, e abomina com todo o Seu ser estas coisas que Ele vê em mim. Deus, eu sei que estou longe de ser digno. E por isso, Deus, venho até Ti com as mãos vazias e contaminadas, e imploro-te graça – esse tipo de graça; a graça que perdoa pecadores indignos, não porque haja algo de bom neles, mas porque Tú e somente Tú és bom.

Se somos salvos, nada mais é do que a pura graça de Deus.

Essa é a confissão que precede a graça. E o que nós sabemos como Reformados, o que nós aprendemos das Escrituras, é que até esta confissão e reconhecimento do nosso pecado é dado para nós pela graça de Deus. Além da graça de Deus, nem mesmo sabemos que isso é a nossa condição. Aparte da graça de Deus, continuamos em orgulho e auto-justiça, totalmente ignorantes da nossa verdadeira condição pobre diante de Deus. Aparte da graça de Deus, nem sabemos que precisamos da graça de Deus.

Em segundo lugar, precisamos ver o sangue que comprou a graça de Deus. Existe uma base para a graça de Deus. Graça não é apenas Deus perdoando nossos pecados porque Ele pode; porque aparte do sangue de Cristo, Ele não pode, e não vai. A graça de Deus está fundamentada em um preço que foi pago. Esse preço é o sangue de Cristo.

Nada, nada, nos torna retos diante de Deus, exceto o sangue de Cristo. Não o nosso merecimento (isso que já vimos), mas também não o merecimento da nossa confissão, ou a profundidade de nossa humildade, ou a sinceridade de reconhecer nosso próprio pecado e indignidade. Nenhuma dessas coisas nos torna corretos diante de Deus. Sem o sangue de Cristo, nenhuma dessas coisas nos salvaria.

É por isso que é tão maravilhoso e doce ler, da pena do apóstolo Paulo, Rom. 3:21–25: “Mas agora, sem a lei, se manifestou a justiça de Deus”—isto é, a justiça pela qual Deus nos torna justos diante Dele—“sem a lei, se manifestou a justiça de Deus…justiça de Deus mediante a fé em Jesus Cristo. Porque não há distinção, pois todos pecaram e carecem da glória de Deus, sendo justificados (feitos justos) gratuitamente, por sua graça, mediante a redenção que há em Cristo Jesus, a quem Deus propôs, no seu sangue, como propiciação.” Essa é a versículo chave. Como os pecadores indignos podem ser considerados justos diante de Deus? “Por Sua graça, gratuitamente, através do sangue de Jesus Cristo que Deus deu como uma “propiciação”.

Agora temos que perguntar, o que é uma propiciação?

A palavra “propiciação” refere-se a “afastar-se da ira, geralmente por meio de um sacrifício.” E é exatamente disso que Paulo está falando aqui: o sangue justo e sem pecado de Cristo, derramado na cruz, é o único meio pelo qual a ira de Deus contra o nosso pecado foi afastada.

Agora, há boas e más notícias aí:

A má notícia é que nada mais pode salvar você, a não ser o sangue de Cristo. Deus não teria enviado Cristo para morrer se alguma outra coisa poderia ter pagado esse preço. Isso é uma má notícia se você ainda está esperando que sua retidão, ou sua sinceridade de coração, ou sua humildade, vai contar para algo aos olhos de Deus. Não vai. Você não tem nada de valor para oferecer a Deus por sua salvação.

Essa é a má notícia.

A boa notícia é que você não precisa de absolutamente mais nada. Ouça novamente o texto: “… por meio de Cristo Jesus, a quem Deus apresentou como propiciação pelo Seu sangue.” Foi Deus que indicou o preço pelo pecado. E foi Deus que apresentou o pagamento. O sangue de Cristo é a única base possível para nossa salvação, mas é base suficiente para nossa salvação. É o preço que Deus exige. E é o preço que Deus aceita.

O que isso significa para nós, então, é que, por um lado, temos que abandonar todas as outras esperanças de salvação. Precisamos. É total tolice e obstinação continuar procurando algo em nós mesmos que nos torne justos para com Deus.

Por outro lado, isso também significa que podemos renunciar a todas as outras esperanças de salvação. Podemos. Podemos parar de tentar ser o que não somos—merecedores da salvação. Podemos descansar no preço que foi pago. 

Receba o sangue de Cristo e você não terá mais nada a temer. Nenhuma dívida a ser paga. Nada que você ainda precise trazer. Nada que você ainda precise fazer para concluir o que Cristo começou. Receba o sangue de Cristo e irmão, você está perdoado. Receba o sangue de Cristo e você está justificado. Receba o sangue de Cristo e você tem vida eterna – e nada pode tirá-la de você.

E isso nos leva à última coisa que queremos ver, que é a pela qual a graça de Deus é recebida. A graça de Deus é descrita nesses versículos como dada em Cristo e recebida pela fé.

Agora, vamos passar mais tempo na próxima semana pensando sobre essa fé – o que envolve, o que ela faz, como ela se manifesta na prática.

Mas agora queremos apenas fazer a pergunta: “o que significa que a graça de Deus deve ser recebida pela fé?”

Pode parecer que afinal Deus está nos dando uma condição que sim temos que cumprir a fim de sermos justificados – e quem sabe o que tudo estará envolvido nessa “fé”. E é freqüentemente assim que o Evangelho é distorcido: é dito, “sim, somos justificados pela graça de Deus, como um dom, por meio do sangue de Cristo, mas esse dom deve ser recebido pela fé, e essa fé deve ser uma fé obediente, e uma fé viva e uma fé ativa … ”; e assim, inadvertidamente, começamos a empilhar toda a lei de volta sobre nossas costas até que ela nos esmague mais uma vez.

Agora, eu não estou contestando aqui que a verdadeira fé é obediente, e viva, e ativa, e assim por diante. Mas levantar isso aqui é perder completamente o ponto. Quanto a nossa justificação diante de Deus, o único aspecto da fé que importa não é a qualidade da fé, mas o objeto dessa fé. 

Pra dar um exemplo:

Se você estiver num barco no oceano que estiver afundando, e você tem fé na âncora que ela vai salvar você, não importa quanto você confia nela, ela não vai te salvar. Pelo contrário, você vai afundar com ela. Mas se você confia no bote salva-vida, e corre pra ele, e faz todo o necessário pra chegar nele, certamente esta fé te salvará. De fato, não foi a fé que te salvou, mas o barco. Mas a fé foi necessário pra você entender que este barco é o que vai salvar sua vida, pra você correr pra este barco, entrar nele, e agarrar-se a ele com toda sua força. Não importa a quantidade da sua fé ou a qualidade da sua fé, a menos que ela impele você a se refugiar neste barco. É ele que vai salvar sua vida, não a fé em si.

A fé é simplesmente a mão que recebe. É a mão aberta e vazia que recebe a Cristo. E isso é tudo que importa. Tudo o mais no que diz respeito à obediência e atividade e tudo mais flui como consequência da justiça que é obtida em Cristo por meio da fé.

Então, se a pergunta for feita, “que tipo de fé salva?” A resposta não tem nada a ver com a “qualidade” da fé, ou a quantidade de fé (embora possamos certamente falar de alguns tendo mais fé do que outros, ou de alguns tendo uma fé mais forte do que outros). Se a pergunta é “que tipo de fé salva?” você não encontrará a resposta nestas coisas. Como se Deus salvasse apenas aqueles que tinham “a melhor” fé ou “a maior” fé! Nossa salvação não tem nada a ver com a qualidade ou quantidade de nossa fé. Tem tudo a ver com o objeto da nossa fé, que é o sangue derramado de Cristo por nós, pecadores. Essa é a única coisa que nos salvará. Não é a fé em se que nos salva, mas apenas o sangue de Cristo. A fé simplesmente recebe e abraça esse dom gratuito de Deus.

Novamente em Romanos 3 (versículo 23):

Rom. 3:23–25: “pois todos pecaram e carecem da glória de Deus, sendo justificados gratuitamente, por sua graça, mediante a redenção que há em Cristo Jesus, a quem Deus propôs, no seu sangue, como propiciação, mediante a fé.”

A fé nada mais faz do que receber o que Deus graciosamente dá. Não merece nada. Não nos torna dignos de nada. Ela simplesmente recebe a graça de Deus em Cristo.

Deixe-me aplicar isto na prática, então:

É a tentação perene de cada um de nós voltar constantemente a buscar alguma base para nossa salvação em nossas próprias obras. Fazemos isso automaticamente. E fazemos isso de forma tão sutil que na maioria das vezes nem percebemos.

Pense nisso: quando nós pecamos, imediatamente sentimos como se tivéssemos perdido o favor de Deus. Nossa consciência nos diz que estragamos tudo. E o que fazemos então? Imediatamente começamos a procurar maneiras de nos justificar – minimizando o pecado ou nos esforçando para compensá-lo em outra área da nossa vida.

E, por outro lado, quando estamos tendo o que nós consideramos um dia muito bom e tendo algum sucesso na luta contra nosso próprio pecado, instintivamente sentimos como se Deus agora estivesse mais feliz conosco.

A verdade é que, se o favor de Deus para conosco fosse baseado em nosso desempenho em qualquer dia, Ele seria total e inteiramente contra nós. Mas, em vez disso, Deus olha para nós com favor, dia após dia, porque Ele vê em nós, não o nosso desempenho, mas a perfeita obediência de Cristo e o sangue derramado de Cristo.

E esta é uma notícia tão doce. Por causa de Cristo, podemos erguer nossos rostos, olhar para Deus e dizer: “obrigado” – “obrigado porque ainda me amas”. “Obrigado por ainda me segurar. Obrigado porque ainda posso ser teu filho amado, por causa de Cristo.” “Obrigado por prometer andar ao meu lado enquanto nós lidamos com meu pecado, e que eu não tenho que lidar com isso sozinho.” “E obrigado porque teu favor nunca cessa para mim, porque não está baseado em mim.” “Não porque eu sou bom, mas porque Tú és.”

Somos salvos por nada além da graça de Deus em Cristo. Portanto: veja e confesse a sua indignidade, como o publicano viu e confessou a sua. E olhe, olhe, para o sangue derramado de Cristo, que é o único preço que poderia ser pago para obter a graça de Deus. Não olhe para si mesmo. Não olhe para dentro. Não perca seu tempo se perguntando se sua fé é digna desta graça. Já posso te dizer que não é. Claro que não. Olhe para Cristo, a única esperança de salvação para todo o mundo. E a promessa de Deus para você é que aqueles que olham para Cristo, que O confessam como Senhor e buscam sua salvação Nele, serão salvos.

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Jonathan Chase

Jonathan Chase

O pastor John Chase é Missionário de Aldergrove Canadian Reformed Church nas Igrejas Reformadas do Brasil. B.A., Western Washington University, 2012; M.Div., Canadian Reformed Theological Seminary, 2016. Serviu anteriormente como pastor da Igreja Reformada de Elora em Ontario, Canadá nos anos 2016-2020. 

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* Este sermão foi originalmente escrito para uso do pastor e não passou por correção ortográfica ou gramatical.