Gálatas 03:13

Leitura: Gálatas 02:15 – 03:13
Texto: Gálatas 03:13

Amados irmãos em Jesus Cristo,

Cristo nos mandou celebrar esta ceia em sua memória. Nesta mesa nós lembramos que o Senhor deu a sua vida na cruz para salvar todos que crêem nele. Lemos sobre isso em Gálatas 3,13. Lá está escrito: Cristo nos resgatou da maldição da lei, Fazendo-se maldição por nós; Porque está escrito: Maldito todo aquele que for pendurado no madeiro.

Este texto fala PROFETICAMENTE. Sobre Jesus Cristo; E sobre nós. Este texto nos ensina:

  1. Que NÓS somos malditos
  2. Que Cristo nos resgatou da maldição
  3. Como Cristo nos resgatou da maldição
    Devemos ler o contexto para entender isso melhor: Gálatas 2,15-21; 3,10-13; Irmãos! É claro que – neste trecho – o apóstolo fala sobre a VERDADEIRA JUSTIFICAÇÃO. Como justos perante Deus? Pelas boas obras da lei OU pela fé? Pela própria força OU pela graça? Pelas MINHAS boas obras OU pela boa obra de JESUS CRISTO?

Com certeza todo mundo aqui vai dizer: Pela boa obra de Jesus Cristo! Isso é claro! E isso é verdade: Isso é claro por nós. Mas durante muito tempo isso não foi tão claro. Muitas religiões enfatizam que o homem deve se salvar pelas suas boas obras; O homem mesmo PODE e DEVE lutar por isso. Os Judeus pensam assim e os muçulmanos e o budismo; Todas estas religiões enfatizam a justificação do homem por suas boas obras.

E houve também na igreja cristã pessoas que pensavam assim: o crente deve fazer boas obras. Ele deve seguir o exemplo de Cristo. Cristo se salvou pelas boas obras. Nós devemos imitar Cristo. Esta idéia é muito forte na Igreja de Roma; Há pessoas que imitam Cristo, até se deixam crucificar, pensando que isso vai ajuda-los perante Deus. Mas é assim, irmãos? O jejum na Quaresma, e todas as regras na Sexta feira Santa vão contar para minha justificação? Não varrer a casa, não pentear os cabelos, não olhar no espelho, não comer carne; Devemos seguir todas estas regras para nos justificar perante Deus? Há pessoas que pensam nisso!

Mas Paulo, nesta carta nos ensina bem sobre a nossa justificação e ele deixa bem claro que o homem não é justificado pelas boas obras da lei, mas pela fé em Jesus Cristo. Pelas obras da lei NENHUMA CARNE será justificada, disse Paulo.

E Ele continua em Cap. 3, 10: Todos aqueles, pois, que são das obras da lei estão debaixo da MALDIÇÃO; porque está escrito: MALDITO TODO AQUELE QUE NÃO PERMANECER EM TODAS AS COISAS QUE ESTÃO ESCRITAS NO LIVRO DA LEI, PARA FAZÊ-LAS.

Então, quem quer seguir a lei, deve seguir a lei TOTALMENTE. COMPLETAMENTE. Como Jesus nos ensinou em Mateus 5, 17-20 [Vamos ler este trecho]. Jesus deixa bem claro que ele não veio para DESTRUIR a lei, mas para CUMPRIR. E não fez isso como os fariseus, mas ele foi mais rigoroso do que os fariseus.

Ele até disse: Porque vos digo que, se a vossa justiça não EXCEDER a dos escribas e fariseus, DE MODO NENHUM entrareis no reino dos céus. Em outras palavras: devemos ser mais rigorosos do que os fariseus e do que os escribas!

Jesus mesmo deu vários exemplos. Ele continua e diz: Ouvistes que foi dito aos antigos: Não cometerás adultério. EU, porém vos digo, que qualquer que atentar numa mulher para a cobiçar, já em seu coração cometeu adultério com ela. Assim Jesus mostrou que devemos seguir a lei de Deus; não somente pela LETRA, mas também pelo ESPIRITO da lei. Jesus fez isso; ele CUMPRIU A LEI, mas NÓS? Nós também?

Não, irmãos, nós não. Nós não conseguimos cumprir a lei. E exatamente Paulo quem sabe disso. Pois ele foi um Judeu, um dos mais rigorosos da sua época; ele fala sobre isso em Filipenses 3, 4-7 , dizendo: Ainda que também podia confiar na carne; se algum outro cuida que pode confiar na carne, AINDA MAIS EU: Circuncidado ao oitavo dia, da linhagem de Israel, da tribo de Benjamin, hebreu de hebreus; segundo a lei, fui fariseu; segundo o zelo, perseguidor da igreja, segunda a justiça que há na lei IRREPREENSIVEL! Está ouvindo, irmãos. Paulo era IRREPREENSIVEL, MAS ELE CONTINUA E DIZ:

Mas o que para mim era ganho reputei-o perda POR CRISTO [-] E seja achado nele, não tendo a minha justiça que vem da lei, mas a que vem pela fé em Jesus Cristo, a saber, a justiça que vem de Deus pela fé.

Paulo mesmo descobriu que ele não podia conseguir a justiça por suas boas obras. Ele lutou para ser perfeito, mas ouvindo o ensino de Jesus Cristo, ele descobriu que ele não podia se salvar; ele não podia cumprir perfeitamente a lei de Deus; ele pecou contra os primeiros mandamentos: pois ele perseguiu os filhos de Deus; ele perseguiu O filho de Deus;

Descobrindo isso, ele descobriu que ele estava no caminho errado. O caminho da justiça pelas boas obras, não era o caminho justo; e assim ele descobriu também: MALDITO TODO AQUELE QUE NÃO PERMANECER EM TODAS AS COISAS QUE ESTÃO ESCRITAS NO LIVRO DA LEI, PARA FAZÊ-LAS.

A lei de Deus não foi dada a nós para nos justificar, mas para nos condenar. Deus queria mostrar como era o homem perante dele: maldito ele é. TODO homem! Pois MALDITO TODO AQUELE QUE NÃO PERMANECER EM TODAS AS COISAS QUE ESTÃO ESCRITAS NO LIVRO DA LEI, PARA FAZÊ-LAS.

Isso é a lei do Antigo Testamento irmãos. O Antigo Testamento nos mostra que somos malditos pecadores; não somos capazes para salva-nos; O Antigo Testamento nos mostra que precisamos dum SALVADOR. E o Novo Testamento nos mostra QUEM É ESTE SALVADOR: Jesus Cristo.

Jesus Cristo nos salvou. Ele foi o nosso substituto. Ele se colocou em nosso lugar para tomar a maldição de Deus. Nós somos malditos, mas Cristo tomou a nossa maldição;

Cristo sofreu por causa dos nossos pecados; Cristo foi castigado em nosso lugar. Paulo fala sobre isso, quando ele escreve: Cristo nos resgatou da maldição da lei, Fazendo-se maldição por nós; Porque está escrito: Maldito todo aquele que for pendurado no madeiro.

A nossa salvação está ligada com a cruz de Cristo. A crucificação de Jesus Cristo não foi um castigo qualquer. A crucificação foi uma morte maldita. Quem morreu assim foi maldito por Deus e pelos homens. Pendurada no madeiro, entre o céu e a terra. Isso quer dizer: maldito pelos homens e por Deus; Nem os homens o aceitam, nem Deus.
Cristo foi maldito e a morte dele mostra isso.

Mas assim ele devia morrer. Ele devia tomar esta maldição para nos livrar da maldição. Pois Cristo estava pendurado na cruz, não por causa dum pecado pessoal dele; Cristo estava pendurado na cruz por causa do oficio dele. Sendo mediador entre Deus e os homens, representando o povo de Deus, Cristo aceitou voluntariamente o seu destino. Ele foi mandado para esta terra para realizar este sacrifício na cruz. Isso foi o seu destino. Os profetas já falaram sobre isso; os salmos já falaram sobre isso. Pensem em Salmo 22, 35 ou salmo 69. Estes salmos já profetizaram sobre a morte do Cristo na cruz. Jesus devia morrer assim para nos salvar.

Assim Cristo nos resgatou da maldição da lei, Fazendo-se maldição por nós; Porque está escrito: Maldito todo aquele que for pendurado no madeiro. Devemos nos lembrar disso, irmãos. E o único lugar onde nós sentimos nisso é na mesa do Senhor. Aqui na mesa vamos ouvir a mensagem da cruz: “Tomem, comam, se lembram e creiam que o corpo do nosso Senhor foi dado pela remissão completa de todos os nossos pecados”. Isso é a mensagem da cruz, irmãos.

As pessoas podem visitar os espetáculos, que se chamam Paixão de Cristo, mas o que eles vão observar? Um espetáculo, uma peça de teatro para mostrar como foi o sofrimento de Jesus Cristo. Mas será que um espetáculo ou um filme pode mostrar o verdadeiro sofrimento de Jesus; o verdadeiro sofrimento do Filho de Deus? Será que podemos filmar os sentimentos puros do Filho de Deus; ou podemos filmar os dores infernais, que Cristo sofreu sendo desamparado por Deus. O filme Paixão de Cristo pode conter imagens duras, que mostram o sofrimento físico de Cristo, mas não podemos filmar o verdadeiro sofrimento de Jesus.

É muito fácil observar o sofrimento de Jesus numa poltrona confortável. Nós não merecemos uma poltrona, mas uma cadeira elétrica. Pensa nisso irmãos;

Deixe-me contar uma história: Houve um batalhão de cem soldados, que foram treinados para ser forte e sem temor. No último dia do seu treinamento, eles tinham que passar por uma prova. Eles foram levados por uma sala esquisita. Naquela sala estavam 200 cadeiras elétricas; Todos os soldados foram mandados para se sentar nestas cadeias; eles ficaram amarrados nas cadeiras assim que não podiam mais sair. Alguns estavam sorrindo, pensando que foi uma brincadeira; gritando um por outro.

Num certo momento a luz se apagou e a cortina do palco se abriu. Em frente no palco houve também uma cadeira elétrica com um homem amarrado na cadeira. Eles não conheciam o homem. Num certo momento uma voz diz: Silencio! E todos os homens se calaram. A voz continuou: Vocês estão aqui para passar o último teste. Para mostrar se tiver caráter. Talvez pensem que estas cadeiras elétricas são uma brincadeira, mas isso não é uma brincadeira. E a luz apagou e todos começaram a gritar, pois receberam um choque elétrico. Silencio! Diz a voz de novo! Agora vocês sabem que estou falando serio. Vocês vão morrer, se não passam o teste. Vocês podem salvar a sua vida. Mas todos vocês devem concordar. Quero uma unanimidade!

Pois lá em frente há uma outra cadeira elétrica. Quero saber de vocês: quem deve morrer: vocês OU ele? O que vocês acham? A voz parou. Ficou silencioso por um momento, e depois um grande tumulto rompeu. Uns começaram falar com os outros, houve pessoas que queriam se soltar, mas não conseguiam, outros começaram a gritar: me solta, vocês são loucos. Quero sair! Foi um barulho enorme. Depois cinco minutos a voz falou de novo: Silencio! Silencio! Os homens se calaram e a voz disse: E…já decidiram? Vocês ou ele? Todos ficaram calados. E de repente um sargento começou: ELE, ELE, ELE, ELE. E outros também. ELE, ELE, ELE. E todos se uniram dizendo isso: ELE, ELE, ELE.

A voz falou de novo. Silencio! Silencio! Todo mundo concorde com isso? Quem não concorda, deve dizer isso. Mas nenhum deles reagiu. Então, continuou a voz. Vocês querem que ele morra. Porque? Vocês não o conhecem. Ele fez nada mal a vocês!

Todos ouviam isso. E o sargento começou de novo: ELE, ELE, ELE. E o resto se uniu com a voz dele: ELE, ELE, ELE.

A voz falou de novo: SILENCIOSO! Todos se calaram. Está bom, disse a voz, vocês mostraram uma unanimidade. Agora o comandante deve decidir sobre as suas vidas. Ele decide sobre a vida da pessoa que está sentado no palco. Chamam o comandante José.

E todos os soldados começaram a gritar: José, José, José; E enquanto eles estavam chamando, o homem no palco se levantou da cadeira elétrica e andou para frente.

SILENCIOSO! Ele gritou com uma voz forte. EU sou José. Todo mundo ficou calado. EU sou José, e eu tenho que decidir sobre o que vai acontecer. Quem deve morrer?

EU ou Vocês? Eu não fiz nada mal a vocês, mas vocês queriam que eu morresse. Vocês queriam matar uma pessoa inocente; Vocês se uniram para me matar. E agora o que EU vou fazer?E ele olhou para todas os soldados, que não tinham coragem de olhar nos seus olhos. A minha vida não prestava nada para vocês, a sua vida não presta nada para mim. Vocês não merecem de viver. Posso matar vocês, mas vou mostrar vocês o que é coragem e unanimidade. E ele se sentou na sua cadeira, se amarrou e disse: isso é o último teste para vocês. Nunca esquece isso! Foram as suas últimas palavras.

Esta historia é uma fantasia, irmãos. Nunca ouvi um comandante corajoso fazendo isso. Mas a historia de Jesus é verdade. Ele fez isso. Ele se sacrificou para nos salvar. Embora inocente, ele se deixou crucificar em nosso lugar. Se você pensa na cruz, pensa em Cristo. E pensa assim: EU devia estar lá; ele está no meu lugar.

Amém.

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Pr. Abram de Graaf

Abram de Graaf

O pastor Abram de Graaf é “Doctorandus” (Drs) em Teologia e um dos professores do Instituto João Calvino (Aldeia, Camaragibe-PE). Ele é pastor da Igreja Reformada de Hamilton, Canadá, enviado como missionário às Igrejas Reformadas do Brasil, desde o ano 2000. É Diretor do Projeto Dordt-Brasil. Ele mora em Maceió e também desenvolve projetos nessa cidade. Acesse o site graafeditora.com

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* Este sermão foi originalmente escrito para uso do pastor e não passou por correção ortográfica ou gramatical.