Salmo 03

Leitura: Salmo 03
Texto: Salmo 03

Amados irmãos no Senhor

Quando vocês estão passando por adversidades na vida, o que vocês fazem? Vocês buscam a Deus ou se desesperam com tantas adversidades? Aonde buscam solução para os problemas? Em si mesmos ou em algum objeto? Na riqueza? Irmãos, quando nós temos problemas em nossas vidas, devemos em primeiro lugar, orar ao Senhor. Devemos entregar a Ele os nossos problemas, sabendo que só Ele pode nos mostrar a solução para as adversidades na nossa vida. Mas, quando nós nos esquecemos de Deus, as adversidades em nossas vidas só tendem a aumentar. O que já estava difícil de resolver se torna pior. Não conseguimos pensar com lucidez. Não conseguimos pensar em uma solução viável. E muitas vezes por isso, terminamos fazendo bobagem. Quando não buscamos colocar o Senhor no centro de nossas vidas, mostramos que não confiamos em Deus. Quando deixamos de buscar a Deus na adversidade, mostramos descrença no Senhor. Mostramos que não confiamos Nele para resolver nossas dificuldades e nos proteger de todo o mal.

Irmãos, o Salmo 3 nos mostra como foi grande a confiança de um servo do Senhor. Esse servo foi Davi. Não pensem que o problema dele foi como o nosso. As dificuldades que passamos nem se comparam com as de Davi. Não chegam nem perto. A adversidade que Davi estava passando não era como uma intriga com uma pessoa; uma briguinha entre um casal. O problema dele era gigantesco, comparado com o que muitas vezes passamos. Porque ele havia sido destronado. Isso mesmo! Ele foi expulso de seu reino. Fugiu para não morrer. Teve de se esconder em cavernas no deserto. Ele com alguns amigos viviam em alerta 24 horas por dia para não morrer. Mas o pior de tudo isso é que o causador do seu sofrimento é Absalão, seu filho. Foi o próprio filho que planejou a conspiração contra Davi. Quão amarga era a dor de Davi surgida da conspiração que sofria de sua própria casa, a qual provinha da traição de seu próprio filho. Para qualquer um de nós seria fácil desistir, a luz da sensibilidade da natureza humana.

E pior de tudo isso é que Davi sabia que esse desastre estava acontecendo por sua própria causa. Eu não quero dizer que Absalão e os seus seguidores não teve culpa em tentar matar Davi. O que eu quero dizer é que por causa do pecado de Davi isso estava acontecendo. Refiro-me ao pecado de Davi com Bate-Seba.

Ele sabia que esse mal era trazido pelo próprio Deus em decorrência de sua própria culpa, ao manchar a esposa de outro homem e derramar sangue inocente. Aqui não é feita nenhuma referência a tal pecado. Mas devemos nos lembrar o que Deus disse depois do pecado de Davi, em 2 Samuel 12.7b-12: “Assim diz o SENHOR, Deus de Israel: Eu te ungi rei sobre Israel e eu te livrei das mãos de Saul; dei-te a casa de teu senhor e as mulheres de teu senhor em teus braços e também te dei a casa de Israel e de Judá; e, se isto fora pouco, eu teria acrescentado tais e tais coisas. Por que, pois, desprezaste a palavra do SENHOR, fazendo o que era mal perante ele? A Urias, o heteu, feriste à espada; e a sua mulher tomaste por mulher, depois de o matar com a espada dos filhos de Amom. Agora, pois, não se apartará a espada jamais da tua casa, porquanto me desprezaste e tomaste a mulher de Urias, o heteu, para ser tua mulher. Assim diz o SENHOR: Eis que da tua própria casa suscitarei o mal sobre ti, e tomarei tuas mulheres à tua própria vista, e as darei a teu próximo, o qual se deitará com elas, em plena luz deste sol. Porque tu o fizeste em oculto, mas eu farei isto perante todo o Israel e perante o sol”.

A luz desse texto fica claro que Deus vai castigar Davi com um mal que vem de sua própria casa. E o momento do castigo chegou. Pois como Deus o puniria expressamente em decorrência de seu adultério e de sua perversa traição contra Urias, não pode haver dúvida de que ele fosse afinal oprimido com graves e terríveis tormentos no espírito. Lembremos, irmãos, que Davi já tinha pedido perdão de seu pecado. Mas o que Deus diz que vai fazer, Ele faz.

Ele poderia cair em total desespero e morrer sob o peso da angústia, se não fosse o encorajamento recebido da promessa divina que faz esperar pela vida mesmo em face da morte. Porque depois que ele pediu perdão do seu pecado, depois de se humilhar perante o Senhor, ele recobrou ânimo; e ao sentir-se assegurado de haver obtido o perdão, sentiu-se também plenamente persuadido de que Deus estava do seu lado e sabia que ele haveria de sempre presidir seu reino e ser seu protetor.

Davi estava aterrorizado diante de tão grande circunstância. Ele diz no verso 1: “SENHOR, como tem crescido o número dos meus adversários! São numerosos os que se levantam contra mim”. Davi fica impressionado com tantos inimigos. Tantas pessoas querendo ver a sua morte. Eram muitos os que se opunham a ele. Eles se revoltaram contra o rei ungido de Deus. Mas o que tudo isso mostra é quão grande é o número daqueles que traíram a fé. Daqueles que estão lutando contra o Senhor. Eles zombavam de Davi. Quando Davi estava fugindo, as pessoas zombavam dele. Atiravam pedras e amaldiçoavam-no. Mas mesmo assim ele colocou sua confiança em Deus. Os seus inimigos diziam: “NÃO HÁ EM DEUS SALVAÇÃO PARA ELE”. Os inimigos de Davi não criam que Deus poderia livrá-lo da morte. Não criam que Deus pudesse devolvê-lo ao trono. Nesta afirmação eles mostraram seu orgulho. Como ímpios, zombaram de Davi. Eles mostraram que não confiavam em Deus e que não tinham nenhuma esperança. A ousadia deles aumentou quando viram que Davi fora destronado. Eles sentiram que Deus o rejeitara. Esta afirmação mostra que eles não levavam em consideração o socorro divino. Pois Absalão não se gabava com a esperança de receber o favor divino, senão que, desconsiderando-o inteiramente, esperava alcançar a vitória com sua própria força. Porque os ímpios desprezam a Deus e se agarram em sua própria força. Em sua riqueza ou posição. Assim eles se levantam com grande fúria contra Deus e seus servos. Não dão a mínima atenção para as obras maravilhosas de Deus. Apenas confiam em sua força e arma. Por isso eles zombam de Davi dizendo que ele irá morrer. Porque ninguém poderá salvá-lo dos seus inimigos.

E tudo parecia estar contribuindo para a destruição de Davi. Ele poderia desistir e morrer. Poderia perder as esperanças. Mas em vez de desistir Davi expressa sua fé em Deus. Ele diz nos versos 3 e 4: “Porém tu, SENHOR, és o meu escudo, és a minha glória e o que exaltas a minha cabeça. Com a minha voz clamo ao SENHOR, e ele do seu santo monte me responde”. Davi emprega uma linguagem cheia de confiança, em oposição à audácia e profanas zombarias de seus inimigos, e testifica que, apesar de tudo o que dissessem, ele continuaria confiante na palavra de Deus. Davi tem uma grande confiança em Deus. Ele expressa sua fé. Ele não desanima. Mas confia naquele que pode dar-lhe livramento. Ele diz que o SENHOR é seu escudo, ou seja, está defendendo-o contra os inimigos. Porque é Ele quem está nos defendendo contra os inimigos. Davi tem certeza que Deus o ouvirá do seu santo monte. Deus está pronto para ajudar ao que o buscar com fé. Ajudar aqueles que põem sua confiança e sua vida em suas mãos.

Davi confiava tanto em Deus que apesar da perseguição ele consegue dormir sem temor. Ele confia tanto que não foi abalado pelos escárnios e aflições. Ele não tem medo da multidão que tenta matá-lo. Ele levanta seus olhos para o alto e sublime trono de Deus e o busca com toda a sua força. Ele coloca sua fé e ora ao Senhor. Ele sabe que o Senhor o sustentará em todos os momentos de sua vida. Deus sempre esteve e não vai ser agora que Deus o deixaria na mão.

Por isso ele diz: “Levanta-te SENHOR! Salva-me, Deus meu, pois feres os queixos a todos os meus inimigos e aos ímpios quebras os dentes”. Davi sabe muito bem que o Senhor defende a causa dos justos, afligidos e órfãos. O próprio Senhor sai em sua defesa contra os inimigos. Ele luta pela causa dos justos. Ele protege seus filhos. Por isso que os filhos de Deus devem confiar no Senhor. Ele sabe que só o Senhor pode livrá-lo dos seus adversários. Ele pede ousadamente que o Senhor venha salvá-lo. Essa ousadia não é uma falta de respeito ou rebeldia. Ao contrário, essa ousadia procede de um verdadeiro crente. Um crente que derrama seu coração aos pés do seu Salvador. Uma fé que apesar dos sofrimentos e escárnios, confia no salvamento divino. Por isso ele pode dizer: “Levanta-te Senhor! Vem ao meu socorro. Livra-me dos meus adversários. Destrói a todos. Porque eles querem me matar. E eles querendo fazer tal mal, vão contra tua vontade, Senhor. Salva-me, salva-me, Senhor! Pois tu és o meu escudo e a minha fortaleza. Meu socorro, amparo e salvação. Por isso, me refugio em ti, Senhor meu!”

Davi tinha esperança no livramento do Senhor. É por isso que ele expressa essa confiança no verso 8: “Do Senhor é a salvação, e sobre o teu povo, a tua bênção”. Ele se alegra com a igreja de Cristo. Porque ele sabe que a sua salvação ou livramento, não depende de homem algum. Mas depende unicamente de Deus. Porque a salvação ou livramento se encontra tão-somente nas mãos de Deus. Davi mostra o contraste entre o socorro divino e o socorro humano. Davi expressa claramente que o ofício de Salvar pertence a Deus. Mesmo que a morte penda para seu povo, isso não vai impedir ou incapacitar Deus de salvar seu povo. Porque Ele sempre é capaz de salvar seu povo em quaisquer circunstâncias.

As bênçãos de Deus são para seu povo. E é muito gratificante saber disto. Deus, além de sempre nos salvar, ainda nos dá bênçãos. Ele sempre cuida para que cada um de seus filhos persevere. Por isso é muito importante sempre confiarmos em Deus. Ele está sempre disposto a nos ajudar. A nos livrar do mal que venha a nos assolar. Como diz o Salmo 121… vamos ler irmãos este salmo. Veja como é nosso Deus. Ele nunca se aparta de seus filhos amados. Busquem ao Senhor, porque Ele está sempre disposto a nos socorrer.

Amém.

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Alexandrino Moura

É formado pelo Centro de Estudos Teológicos das Igrejas Reformadas do Brasil. Serve à Igreja Reformada do Grande Recife (PE) como Ministro da Palavra e dos Sacramentos.

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* Este sermão foi originalmente escrito para uso do pastor e não passou por correção ortográfica ou gramatical.