1 João 03.18 [Sermão]

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Novo Testamento - ovelhas

Sermão preparado pelo pastor Jim Witteveen
Leitura: 01 João 03.11-24; 01 Coríntios 13
Texto: 01 João 03.18

Amada Congregação do Nosso Senhor Jesus Cristo,

Vou começar essa mensagem lembrando vocês de algumas expressões que são bem-conhecidas por todos vocês.

“Falar é fácil.”

“Ações valem mais do que palavras.”

“Quem muito fala pouco faz.”

Primeiramente, “Falar é fácil.” Em outras palavras, pode falar e falar, sobre planos, sobre o que vai fazer, e não custa nada. Mas fazer algo – não é tão fácil como falar!

A segunda expressão é “Ações valem mais do que palavras.” O que diz mais sobre uma pessoa – o que ela diz, ou o que ela faz? Se você está procurando alguém para ajudar num projeto, preferiria alguém que fala muito sobre quão útil ele é, ou alguém que não fala muito, mas que realmente ajuda?

E a terceira é “Quem muito fala pouco faz.” De novo, essa expressão diz que muitas palavras não significam muita realização. É melhor fazer do que falar.

Há mais expressões desse tipo, e o número de expressões sobre esse assunto mostra que estamos lidando com um problema sério e comum: as pessoas sempre têm a vontade de falar sobre coisas, mas não é tão comum encontrar alguém com a vontade de fazer algo.

E isso não é somente a verdade “no mundo” – fora do povo de Deus. A Escritura aborda essa questão também, e faz isso num nível completamente diferente. Se realmente quer entender o que significa “Ações valem mais do que palavras,” so precisa ler Tiago 2.14-18:

“Meus irmãos, qual é o proveito, se alguém disser que tem fé, mas não tiver obras? Pode, acaso, semelhante fé salvá-lo? Se um irmão ou uma irmã estiverem carecidos de roupa e necessitados do alimento cotidiano, e qualquer dentre vós lhes disser: Ide em paz, aquecei-vos e fartai-vos, sem, contudo, lhes dar o necessário para o corpo, qual é o proveito disso? Assim, também a fé, se não tiver obras, por si só está morta. Mas alguém dirá: Tu tens fé, e eu tenho obras; mostra-me essa tua fé sem as obras, e eu, com as obras, te mostrarei a minha fé.”

Você vê um membro da congregação que precisa de ajuda. Você oferece simpatia. Você diz, “Espero que tudo melhora para você. Vou orar pelo irmão.” E tendo oferecido essas palavras reconfortantes, você seguir seu caminho, deixando ele para trás. Ele permanece no mesmo lugar – ainda necessitado, ainda sofrendo. A situação não é diferente do que foi antes dessa conversa. E como Tiago diz, “Qual é o proveito?”

O fato é, não há proveito algum. Aquela fala é barata. Nós cristãos devemos ser o tipo de pessoa que faz mais do que fala. Se as ações valem mais do que as palavras, nossas ações, feitas em imitação de Cristo, como resposta de gratidão à graça de Deus, são muito mais valiosas. Me lembra de uma outra expressão que pessoas fora da igreja usam muitas vezes quando falam sobre cristãos que não estão vivendo conforme a sua confissão: “Pratica aquilo que prega.”

Em nosso texto, o apóstolo João está explicando o que ele escreveu anteriormente, em 1 João 3.3:

“E a si mesmo se purifica todo o que nele tem esta esperança, assim como ele é puro.”

Nossa doutrina, nossa antropologia (nosso entendimento do ser humano), e nossa escatologia (nosso entendimento da vida por vir) precisam ter impacto em nossa vida. Agora, à luz de quem somos em Cristo, à luz do que seremos na vida por vir, como devemos viver?

E se há uma coisa que deve caracterizar nosso modo de vida como seguidores de Cristo, é isto: amor. Nosso Senhor resumiu toda a lei sob os dois grandes mandamentos: Ame o Senhor teu Deus de todo o teu coração, e ame teu próximo como a ti mesmo. Esse é o verdadeiro resultado da fé. É a fé em ação – amor a Deus, e amor ao próximo.

A primeira coisa que João nos diz é que o amor é o que nos distingue do mundo. O primeiro exemplo da antítese, aquela luta entre os filhos da serpente e os filhos da mulher, encontra-se na história de Caim e Abel. O Senhor aceita o sacrifício do justo Abel, mas Ele rejeita o de Caim. E em vez de se arrepender, Caim ataca o irmão e o mata. Caim tipifica o mundo. Ele odiou e, em seu ódio, ele matou seu irmão.

Sabemos pelas palavras de Jesus em Mateus 5 que seu ódio, por si só, era o equivalente ao assasinato:

“Ouvistes que foi dito aos antigos: Não matarás; e: Quem mater estará sujeito a julgamento. Eu, porém, vos digo que todo aquele que se irar contra seu irmão estará sujeito a julgamento; e quem proferir um insulto a seu irmão estará sujeito a julgamento do tribunal; e quem lhe chamar: Tolo, estará sujeito ao inferno de fogo” (Mateus 5.21-22).

Então, até antes da ação física de Caim de matar seu irmão, ele já havia assassinado seu irmão em seu coração. O ato físico do assassinato foi apenas o resultado da intenção assassina que vivia dentro dele.

Isto é o que não devemos ser. Lembre-se, o mundo está dividido em dois grupos de pessoas: por toda a Escritura, e especialmente nos Salmos e Provérbios, esses dois grupos são chamados de “justos” e “maus.” Provérbios 12.6 nos diz:

“As palavras dos perversos são emboscadas para derramar sangue, mas a boca dos retos livra homens.”

E em Provérbios 12.10, lemos que “o coração dos perversos é cruel.” Literalmente o que esse provérbio diz é que mesmo a misericórdia dos perversos, dos maus, é cruel. Em outras palavras, mesmo quando os perversos pensam que estão fazendo algo positivo por alguém, nada mais é do que crueldade. Basta olhar para os programas governamentais que abundam em nosso país e você pode ver um excelente exemplo desse provérbio em ação. Mesmo quando os ímpios acreditam que estão sendo misericordiosos, mesmo quando acreditam que estão ajudando os oprimidos e marginalizados, muitas vezes vemos que sua suposta misericórdia nada mais é do que uma crueldade prejudicial.

E isso é verdade para todos os incrédulos, e nós sabemos disso não por causa do que vemos mas por causa do que a Escritura nos diz. Já vimos isso antes, e precisamos nos lembrar de vez em quando, porque as aparências enganam tanto: como o apóstolo Paulo escreveu a Tito em Tito 3.3, “Nós também, outrora, éramos néscios, desobedientes, desgarrados, escravos de toda sorte de paixões e prazeres, vivendo em malícia e inveja, odiosos e odiando-nos uns aos outros.” Essa é a mensagem da Escritura sobre a diferença entre os filhos de Deus e os filhos do maligno.

E, portanto, por causa desta grande divisão que existe entre os justos e os ímpios, João nos diz para não ficarmos surpresos quando o mundo nos odeia. Ele retorna a esse tema novamente; existe uma barreira entre os filhos de Deus e aqueles que João diz são “do maligno.” E não devemos ser como aqueles que, mesmo nos seus melhores momentos, são inimigos de Deus e do próximo, e devemos não ficar chocados quando nos odeiam quando vivemos como cristãos devem viver.

Isso é o que não devemos ser. Mas como podemos saber o que somos chamados a ser? Podemos conhecer a vida a que somos chamados, olhando para Cristo. “Nisto conhecemos o amor: que Cristo deu a sua vida por nós; e devemos dar nossa vida pelos irmãos.” O próprio Jesus dissera estas palavras, e João voltou novamente às palavras que ouvira diretamente do Senhor, registrados em João 15:

“O meu mandamento é este: que vos ameis uns aos outros, assim como eu vos amei. Ninguém tem maior amor do que este: de dar alguém a própria vida em favor dos seus amigos.

A essência do amor é o auto-sacrifício – colocando as necessidades da outra pessoa à frente das suas, fazendo o que Cristo fez – amando pessoas que em si mesmas são totalmente indignas de amor, até dando a vida por elas. Cristo deu a sua vida por um homem como Pedro, que tantas vezes se mostrou fraco e tolo, que chegou a ponto de negar seu próprio Salvador três vezes. E Ele deu sua vida por você e por mim, e você sabe, e eu sei, o quanto não somos amáveis. Isso é amor.

E precisamos tomar nota especial disto: Jesus disse:

“Ninguém tem maior amor do que este: de dar alguém a própria vida em favor dos seus amigos” (João 15.13).

Nota bem: Não, “…que alguém esteja disposta a dar a sua vida em favor does seus amigos,” ou “que alguém dará sua vida em favor dos seus amigos se for necessário.” É “de dar alguém a própria vida em favor dos seus amigos.”

E João diz: Devemos dar nossa vida pelos irmãos. Novamente, veja o que Ele diz! Não é: “Devemos estar dispostas a dar nossa vida pelos irmãos.” Não é, “Se você realmente precisa, esteja pronto para dar a vida por seu irmão.” Porque é tão fácil dizer: “Eu daria minha vida por ele.” É fácil para um marido dizer sobre sua esposa, tão romântico, “Eu daria minha vida por ela.”

Mas não somos chamados, não somos ordenados, para estarmos prontos e dispostos a fazer isso se surgir a necessidade, como se “dar a sua vida por alguém” significasse algo como estar disposto a se jogar na frente de uma bala que se dirige ao seu amado, ou entrando no trânsito para resgatar seu amado da morte certa.

Porque as chances são muito boas de que isso nunca aconteça! É provável que eu realmente serei chamado a viver de acordo com essas palavras? É fácil dizer, e esse é o ponto inteiro de João aqui, que estou disposto a dar minha vida por meu marido, minha esposa, meus filhos, meus pais ou meus irmãos e irmãs na igreja. É muito mais difícil fazer isso no dia-a-dia! Isto é a mesma mensagem que Jesus nos dá nos evangelhos, como em Lucas 9, onde Ele diz:

“Se alguém quer vir após mim, a si mesmo se negue, dia a dia tome a sua cruz e siga-me. Pois quem quiser salvar a sua vida perdê-la-á; quem perder a vida por minha causa, esse a salvará” (Lucas 9.23-24).

Ações falam mais alto que as palavras. Falár é fácil. “Filhinhos, não amemos de palavra, nem de língua, mas de fato e de verdade.”

Porque o fato é que é muito mais fácil falar sobre amar o próximo do que amar o próximo. É muito mais fácil pensar e falar sobre amar a humanidade em geral do que realmente amar um ser humano individual. C.S. Lewis disse isto:

“É mais fácil ser entusiasta da Humanidade com um ‘h’ maiúsculo do que amar homens e mulheres individuais, especialmente aqueles que são desinteressantes, exasperantes, depravados ou de outra forma não atraentes. Amar todo mundo em geral pode ser uma desculpa para amar ninguém em particular.”

Porque o verdadeiro amor é mais do que apenas palavras piedosas e bonitas. Somos chamados a amar. Isso significa que o amor, no verdadeiro sentido bíblico e piedoso, não é tanto um sentimento como uma ação. É muito diferente do conceito do mundo do que é o amor, tornando o conceito do amor do mundo irreconhecível. É tão simples assim: o mundo não tem nenhuma idéia do que é o amor verdadeiro, e confunde o amor verdadeiro por muitas outras coisas – por um sentimento em seu coração, por luxúria, por conforto, por prazer… essa é a idéia do mundo sobre o que é o amor. De acordo com a definição de amor do mundo, o amor é algo que pode ir e vir, algo que pode acontecer como um fogo violento a depois desaparecer completamente.

Mas o amor não significa gostar de alguém. Segundo a Palavra de Deus, o amor é algo que pode ser exigido! Somos ordenados a amar a todos, mesmo aqueles que não necessariamente gostamos muito. Gostar de alguém é baseado no sentimento, num certo aspecto emocional, em ter algum interesse comum, em ter algum tipo de admiração pelas qualidades e características pessoais dessa pessoa. Amar alguém significa viver em relação a uma pessoa da qual você talvez nem goste muito, como se você gostasse dela na verdade – não porque você pode obter algo desse relacionamento, não porque essa pessoa lhe oferece algo que faz você se sentir bem, mas porque essa pessoa é um irmão ou uma irmã em Cristo, e porque você é chamado para amar, em ação, não em palavras.

E o resultado de amar seu irmão e sua irmã, ao dar a sua vida, ao fazer a sua felicidade, prazer e conforto secundários à felicidade, prazer e conforto do seu irmão ou irmã, é isto: quando amamos nosso irmão em ação e em verdade, saberemos que somos da verdade. Com isso, tranquilizaremos nosso coração diante de Deus. Com isso podemos fortalecer nossa confiança, nossa segurança de salvação, nossa certeza de que estamos unidos a Cristo, nossa certeza de que o Espírito Santo realmente habita em nós como seu templo. Ao amar nossos irmãos, podemos ter certeza de que passamos da morte para a vida – da morte do mundo e de seu ódio e inimizade para a vida de Cristo.

Porque somente no Espírito Santo podemos amar nossos irmãos e irmãs; somente pelo trabalho do Espírito Santo temos a capacidade e a vontade de amar aqueles que parecem ser indignos de amor. O apóstolo Paulo disse isto em Gálatas 5.22-23:

“Mas o fruto do Espírito é: amor, alegria, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fidelidade, mansidão, domínio próprio. Contra estas coisas não há lei.”

Amor, amor em ação, amor na verdade, é o fruto do Espírito. É um sinal de que fomos vivificados em Cristo. É a prova mais segura da nossa regeneração.

Não é que precisamos amar para sermos salvos. É um apoio para nossa fé, não o fundamento da nossa fé, não porque amamos e portanto recebemos a salvação, mas porque recebemos a salvação e, portanto, podemos amar. Como João continua a dizer em 1 João 3.24:

“E nisto conhecemos que ele permanece em nós, pelo Espírito que nos deu.”

E como Tiago disse que a fé sem obras está morta, o apóstolo Paulo dis em Gálatas 5.6:

“Porque, em Cristo Jesus, nem a circuncisão, nem a incircuncisão têm valor algum, mas a fee que atua pelo amor.”

E, como lemos em 1 Coríntios 13.13:

“Agora, pois, permanecem a fé, a esperança e o amor, estes três; porém o maior destes é o amor.”

Não amor em palavra ou conversa; falar é fácil. Mas amor em ação e em verdade.

Meus irmãos, nos últimos vinte minutos eu falei sobre amor, e vocês ouviram sobre o amor. Isso nos coloca numa posição perigosa. Porque se eu sair daqui, e se você sair daqui, sem realmente colocar essas palavras em prática, sem realmente pensar e orar, sem pedir ao Senhor a força necessária para viver em amor, então teremos gasto um pouco mais de nossa vida fazendo o que o apóstolo nos disse para não fazer – “amar,” se fosse possível, na palavra e na fala, mas não na ação e na verdade. Podemos estar aqui em nosso culto, falando nas línguas dos homens e dos anjos, como Paulo escreveu em 1 Coríntios 13, mas se não temos armor, não somos melhores nem mais úteis do que um bronze barulhento ou como um címbalo que retine. Podemos entender todos os mistérios da Escritura, podemos conhecê-la de Gênesis a Apocalipse, podemos conhecer nossas confissões e sermos capazes de recitá-las da memória, podemos parecer ter tudo, mas se não amamos, não são nada.

Então, meus irmãos, precisamos desse lembrete. Nós somos os objetos de um amor maior do que qualquer um poderia imaginar, amor que levou à morte do Filho de Deus, amor sacrificial, amor que nunca foi e nunca será igualado, o amor do Pai. Em amor, Ele nos escolheu para sermos seus filhos. Em amor, Ele nos dá o seu Espírito Santo para ser nosso consolador e nosso guia. Em amor, Ele nos guia a nos preserva. Em amor, Ele nos receberá em sua presença por toda a eternidade.

Portanto, agora, em resposta ao amor tão grande, vamos amar uns aos outros – “Não amemos de palavra, nem de língua, mas de fato e de verdade.”

Amém.


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* Este sermão foi originalmente escrito para uso do pastor e não passou por correção ortográfica ou gramatical.

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